a ciência e a arte de se viver num mundo digital

promessas de 2008

O ano novo que se inicia três promessas de avanços na área tecnológica e se realmente se concretizarem trarão mudanças para o nosso dia-a-dia.

Uma delas é a tão falada e propagada TV digital, que teve até muita publicidade por conta do “necessário” envolvimento do governo federal.

Seu lançamento foi alardeado e festejado como a próxima maravilha do século.

Diziam, “agora vai ser tudo diferente”.

Será mesmo? Vamos aguardar para ver a tal interatividade e alta definição de imagens.

A outra promessa diz respeito a tecnologia 3G para acesso de alta velocidade nos celulares.

De novo, “agora vai ser tudo diferente”.

Vamos poder ter mais conteúdo, dados, vídeos e todas outras sortes de benefícios que só a 3G pode nos dar, será mesmo?

Mas como no Brasil é muito difícil se manter uma promessa…

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Um Comentário em “promessas de 2008”


  • Olá para todos.

    A respeito do celular com tecnologia 3G e a TV digital, gostaria de tecer alguns comentários:

    Não posso deixar de mencionar os imensos benefícios que ambas inovações terão em nossas vidas. Porém, sempre é necessário fazer uma análise crítica acerca do assunto. E tal análise crítica me leva a concluir que devemos ter muita cautela, no sentido mais preventivo da palavra. Com a TV digital, por exemplo, vários serviços estarão disponíveis a um clique do nosso controle remoto, desde conferir a previsão do tempo até pedir uma pizza. E são essas facilidades a que me refiro.
    Quando o celular foi lançado, era apenas um telefone que poderia ser levado a qualquer lugar que contivesse uma antena para recepção. Mas vejamos no que se transformou hoje: em uma câmera digital que manda e recebe mensagens textuais e gráficas. Quando vamos comprar um que esteja na moda, até nos esquecemos de perguntar coisas como: dá pra falar nisso?
    Me chamem de careta, de conservador, ou até mesmo antiquado, mas para quê tudo isso? Quem ganha com toda essa tecnologia? Será que nossa vida agrega-se tanto de qualidade? Tenho um celular para uso pessoal, que só faz e recebe ligações (como qualquer aparelho telefônico) e manda mensagens. Para mim, o celular é apenas um aparelho para comunicações de emergência.
    Trabalho com tecnologia (sou analista de sistemas) e aprovo a evolução, tanto do homem quanto das suas invenções. Mas prefiro dizer que sou um amante da tecnologia, e não um escravo dela. Não me sinto triste, deprimido ou menos favorecido só porque meu celular não é um canivete suíço eletrônico.
    Agora pensemos na facilidade que é enviar uma mensagem de texto: quem ganha com essa facilidade? Nós, que agilizamos esse processo e disponibilizamos mais tempo em nossa vida, ou as companhias de celulares? E com a TV digital, quem realmente vai ser o grande vencedor? Será que nossa disciplina e planejamento pessoal poderá superar tanta opção?
    As inovações tecnológicas que estão surgindo escravizam cada vez mais as gerações, tornando-as dependentes.
    Não me considero resistente a mudanças, mas acho que deve haver um certo limite entre o que é útil e o que é fútil.
    Reforço esta idéia com o que li no livro “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kyoshaki: hoje em dia, os jovens cada vez mais cedo ganham um cartão de crédito e um telefone celular dos pais, só que não aprendem a gastar dinheiro de maneira consciente e nem a economizá-lo, não tem idéia de quanto custa uma ligação de celular, uma mensagem etc… ou seja, recebem ferramentas poderosas nas mãos, mas não são ensinados a utilizá-las. Não adianta colocar um cartão de crédito nas mãos de uma criança ou um adolescente, sem antes ensiná-lo algo sobre dinheiro. E aí as companhias de celulares, a futura TV digital e até mesmo a administradora de cartões de crédito, que até então estava fora do assunto, ganham mais um ponto para si.
    Enfim, concordo que o celular é bastante útil. Concordo que o cartão de crédito também é, e concordo que a TV digital será. Só não quero ver as crianças de hoje e de amanhã substituindo seus brinquedos e brincadeiras inocentes, por um celular, pelo cartão de crédito, e pelo controle remoto da televisão, enquanto dizem: “eu quero isso”, “eu quero aquilo”, “eu quero”, “eu quero” e “eu quero”, enquanto esquecem de viver e sonhar.

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